Igreja Batista Conservadora – Canguçu/RS

Maçãs de ouro em salvas de prata!

Novo céu e nova terra.

Apocalipse 21. 1-8

Introdução.

Em um mundo conturbado, cheio de dor e tristezas ter uma fé como a nossa, um livro como o nosso e uma conclusão de história como esta, é uma verdadeira dádiva celestial! Um refrigério para os nossos ouvidos e um alento para as nossas almas. A nossa fé é dom de Deus, o nosso Livro é divinamente inspirado por Ele – literalmente respirado. A vida que temos é a vida que Ele nos deu e o fato de estarmos solenemente reunidos em uma noite como a de hoje, 9 de Abril do ano de 2017, em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, no dia do Senhor, não é fruto do mero acaso ou da ação de forças cegas que regem o universo, mas sim o resultado de um plano elaborado muito antes da nossa existência (Salmo 139.16) por “aQuele que nos ama…” (Ap 1.5).
Tivemos uma semana onde notícias ruins nos assaltaram de repente. No início dela, tivemos um atentado com gás mortífero na Síria onde 80 pessoas perderam a sua vida e dentre elas 30 crianças. Em resposta a este atentado O atual presidente dos Estados Unidos da América, ordenou um contra ataque à base aérea que realizou este atentado.

Na Sexta feira desta semana um outro ataque terrorista na Suécia, deixando um total de quatro pessoas mortas e outras 15 feridas.

E Para completar, na manhã de hoje acordamos com a notícia de que duas igrejas cristãs coptas foram alvo de terrorismo no Egito, com mais de 40 mortos.

Sem entrar no mérito das razões políticas e religiosas que motivaram estes tristes ocorridos para a humanidade, reconhecemos a soberania de Deus e que nada foge ao seu absoluto controle.
O nosso santo texto, revelado ao apóstolo João por volta do ano 90 D.C, quando ele estava exilado na ilha de Patmos, fala-nos do último estado, depois da história, depois do tempo, depois do grande julgamento final (Ap 20. 11-15). É uma dádiva muito grande crer num Deus que conduz a história e os seus reis de forma absoluta. Por mais que não entendemos os seus caminhos por serem eles mais altos do que os nossos e os seus pensamentos estarem muito aquém dos nossos (Isaías 55.8), a propósito – Deus não pensa! Pois o ato de pensar é meramente humano. O pensamento é o processo pelo qual nós organizamos as informações contidas para então termos sentido e resoluções para os fatos. Deus é pleno em todo o conhecimento e isso ao mesmo tempo que detém o controle absoluto sobre todos os fatos, quando a Escritura fala no texto supracitado e em muitos outros sobre os “pensamentos de Deus”, ela não está errando, ela está apenas utilizando-se daquilo que lhe é próprio; a linguagem humana. Pois a bíblia ao passo que é um livro plenamente divino, também o é humano – a isso damos o nome de inspiração orgânica. E sobre usar a linguagem humana, a teologia denomina este recurso como antropoformismo.

Ter um texto como este é equivalente àquele que está em uma situação muito difícil, e por um momento é transportado para outro local de forma milagrosa. Temos o exemplo na Escritura. Deus fez isso no passado, com o profeta Elias (2 Reis 2.16) e com o Diácono Filipe (Atos 8.38 e 39), nos idos tempos da igreja primitiva – neste último caso, não era uma situação de perigo, mas sim uma missão muito importante, a de pregar o evangelho para o Etíope que lia sem entender o capítulo 53 do profeta Isaías.
Assim como algumas pessoas desmaiam ao serem surpreendidas por noticiais muito impactantes, cujas quais elas não apresentam estrutura para suportá-la, ou como nós mesmos por vezes estamos em um sonho muito ruim e fazemos força no sonho para acordar, e ao acordar damos graças a Deus por ter sido um mero sonho, assim é a possibilidade que Deus nos dá na noite de hoje. Não a de fugir da realidade como nas duas analogias que acabei de fazer, mas sim de olhar para aquilo que nos espera – o Estado Eterno e ter muita esperança !

A Estrutura do texto:

Dos versículos 1 a 8 João descreve o novo estado e tudo aquilo que ele viu. Do 9 ao 27, de maneira pormenorizada ele fala com especificidade da Santa Cidade; a nova Jerusalém.

Exposição de 1-8

Vejamos:

“ 1 Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
2 Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo”

João vê a nova criação e declara que tudo como conhecemos passou – a expressão o mar já não existe pode ser interpretada como sendo a realidade da nova criação possuindo agora outra concepção dos parâmetros conhecidos não há mais península ou, usando-se a linguagem recorrente nas escrituras, as lutas não mais tem lugar, pois “mar” sempre significa na Escritura as muitas tribulações e desafios dos crentes em toda a narrativa bíblica (vide Salmos 107. 25-30). No versículo 2 João vê aquilo que está contido na na sua visão do novo mundo – A nova Jerusalém, a santa cidade. Assim como o Jardim de Deus estava contido no Éden, a santa cidade está contida na nova criação.

“3 Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.
4 E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.”

O apóstolo João tem a grande honra de ouvir a narração dos fatos que ele passa a ver. E não é qualquer voz, é a voz de Deus! A voz que vem do trono é a voz que no princípio disse “Haja”, “façamos”, esta é a voz que dita as regras do universo, que não o deixa a sua criação à deriva como propõe o teísmo aberto, esta é a voz que nos orienta (Salmo 32.8), esta é a voz do altíssimo! Essa maravilhosa voz declara qual é a nova realidade do povo de Deus. Um povo que foi criado por Deus para ser seu, cujo qual Deus sempre habitou por meio do seu Espírito e os conduziu e manifestando a sua presença por diversos modos durante o processo revelacional, nesta nova realidade Ele se faz presente por inteiro, sem mais subdivisões como era no no Tabernáculo e depois no Templo. Não mais como por um espelho embaçado como Paulo cita aos coríntios (isso da forma com conhecemos e não como somos conhecidos), mas plenamente. Fazendo jus ao Santo nome de Cristo que é Deus conosco – Emanuel (Isaías 7.14). A consequência desta convivência plena é o fim de todo o sofrimento, e a extinção da dor e de todo o tipo de sofrimento, e isso pela incapacidade destes elementos entrarem no mundo vindouro, pois isto também está de acordo com o fato de que “o mar já não existe” do versículo 1, se considerarmos que ele é uma representação das dificuldades da vida neste lado do céu, pois ante a presença de Cristo, diz a Escritura , “há fartura de alegria” (Salmo 16.11). A morte, a dor e as lágrimas são a colheita do pecado que Adão plantou em toda a humanidade, mas Cristo promete por fim em todas elas (v4), ele já tem justificado o seu povo por meio do seu santo e eterno sacrifício (Rm 8.1), no mundo porvir ele eliminará as consequências da primeira criação contaminada pela queda (vide Mateus 5.4).

“5 E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras.
6 Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida.
7 O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho.”

Outra referência aQuele que está assentado no trono – Deus. Uma antiga promessa do Senhor é cumprida de maneira cabal – Ler Isaías 43. 14-21. Uma referência é feita para que João escreva aquilo que é “fiel e verdadeiro”, pois esta foi a maneira escolhida pelo Senhor para preservar a sua revelação e fazer com que ela chegasse até nós; a Escritura sagrada. “Tudo está feito” (gr; gegonan), não de vir “a ser” mas sim de “tornar-se” , em nossa língua parece-se com o “está consumado” de Jesus na Cruz (João 19.30), mas lá a raiz é “teleo” e o grito foi literalmente “tetelestai”. Naturalmente notamos uma relação com a obra do calvário para a completude do último estado (1 João 3.2). A relação de princípio e o fim demonstrada pela primeira letra do Alfabeto grego e com a última, é uma clara expressão de que Ele é quem tem a palavra inicial e final sobre qualquer assunto, e agora ele está dizendo que chegou o fim de todo o sofrimento, pois os sedentos beberão (João 4.14) sem ter que pagar (Isaías 55.1). O Senhor promete esta herança para aqueles vencerem não por meio dos méritos de quem vencer, aqui vencer significa permanecer até o fim, mas por meio daQuele que venceu (vide Gálatas 3.29), nossa filiação está garantida porque Ele, o Cordeiro é “o primogênito entre muitos irmãos” Romanos 8.29.

“8 Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.”

Segue-se uma breve lista de réprobos em suas qualidades. O contraste é notável. Enquanto os filhos herdeiros gozam a nova realidade e a presença plena de Deus entre eles, os ímpios são expulsos para sempre desta grande benção e sofrem no tormento eterno “lago de fogo” (gr. geena). Nesta vida quando olharmos para os inimigos da Cruz, para aqueles que desprezam o Evangelho e por vezes prosperam, devemos saber qual é o seu destino.

Aplicações

1 – Deus é o Senhor da história e está conduzindo-a para um final feliz para o seu povo (V27)!

2 – Se estamos sofrendo, isso é um sinal de nossa filiação (2 Tm 3.12), todavia devemos saber que as nossas lágrimas serão enxugadas (V4)

3 – Não há oque temer, nem mesmo uma 3° guerra mundial. O Senhor está assentado sobre “um alto e sublime trono” (Is 6.1; Ap 21.3,5) Ele é o dono da história e nada pode fugir do seu controle absoluto (2° Reis 19.25/Isaías 37.26).

4 – Nossa esperança em Cristo não pode e, segundo a Escritura, não deve, estar expectada somente nesta vida (1° Co 15.19)

Autor: Gustavo S. Franco

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